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Talvez sejam as mulheres bonitas.

Talvez os caras narigudos de “mullets”.

Talvez as comidas, cores ou cheiros.

Talvez os detalhes.

Talvez a saudade imprintada.

Talvez tudo.

Talvez você.

Ou eu…

Era dos sorrisos que Clara gostava, sempre soube. Ainda que os dentes não lhe despertassem paixões… O modo como as bocas curvavam, as pequenas tortuosidades que diferenciam umas das outras. Pequenos traços para entender grandes coisas. Ela não sabia dizer se deveria ou não associar este gosto por sorrisos a seu hábito de preferir ficar calada…

Sempre resmungava, mas não dizia nada. Nada. Era tão normal que algumas vezes achava ter dito algo, mas nunca disse. Difícil para os amigos… Mais difícil ainda para ela. Pois acostumou se a não falar, empregara tanta rispidez consigo mesma neste processo, que não conseguia falar quando precisava… Nem para pedir socorro.

Sentou no sofá, jogou na sua cara que havia feito o que ele não fez, com aquela cara de quem sempre conserta tudo e os olhos molhados que levam todos ao céu e ao inferno. Ele resmungou o primeiro comentário sarcástico que lhe veio, como sempre fora, como sempre seria… Esculhambações primeiro, elogios, agradecimentos e rosas depois.

Foi para o quarto com seus sorrisos, o deixara no sofá com seus pesares. Quando ele procurou não estava mais lá. Por quê? Por que teria ela feito uma coisa tão vulgar? Sim, ela deletara. Ok, ele sabia porque, uma pena.

Perguntou, na sequencia, se havia deletado por completo… Recebeu um mísero sim. Parabenizou a e ela agradeceu… Quis saber se era o fim e ela disse: – “Pode ser apenas um nunca mais lera minhas cartas de amor.”

Uma romântica, a safada, gostava era de frios na barriga, de tapas na cara, de enjôos e vertigens. Enquanto ele achava que era um bad boy, o rei dos maus tratos, cheio de panca, ela vinha, disfarçada de romance, pisar lhe com saltos altos e puxar lhe os últimos cabelos.

Quando alguém morre as pessoas precisam entender que: nada serve para ser dito nesta hora. Nada. Nenhuma palavra conforta. Saber de Deus que tudo arruma, do tempo que a todos cura, da vida que continua… Nada disso importa! Nada cala o vazio que abre dentro de nós!

Vazio que piora no dia a dia… Nas horas que você costumava passar com a pessoa que não está mais ali e não vai voltar. Quando você está sozinho e nenhuma das pessoas que estava ali falando baboseiras sobre pêsames presencia, ou vai passar por você. No quarto que agora está vazio.

O buraco só melhora ao virar saudade… A “saudade é a presença do ausente” (parafraseando a sábia amiga Zeni Alvim) e é ela que nos enche de lágrimas de alegria e orgulho, substituindo a dor da perda. Mas ela é muda. Muda como as pessoas deviam ser, as vezes…

Em homenagem a um grande amigo que se foi, por favor, um minuto de silêncio.

Ji* Só quero que saiba que lamento muito não estar aí presencialmente para te dar um abraço apertado. Mudo. E miseramente confortante…

Que te leve o despautério!

Esse amor insano e sincero.

Ao louro da vitória, nessa terra

em que glória é sinônimo de memória.

Que te leve pra bem longe!

Essa história de duas metades…

… porque o resto é escória.

Que te leve ao desespero!

A realidade da ausência,

essa disparidade…

Que te leve. Leve. Leve. Leve.

Era o nariz. Que desde pequeno lhe pesava na cara. Que custou as vergonhas da infância, trouxe verdades na adolescência, gerou medos na sua migração, mas agora, na vida quase adulta, refletia ela.

Ele jamais entenderia, sequer poderia admirá-lo, contudo era capaz de exprimir uma ínfima gratidão sobre essa parte de si que sempre o indignara. Porque ela, ah! Ela. E ela gostava era do nariz.

Nariz adunco, grande, pontudo e pendurado. Sempre chamou mais atenção do que o sorriso mesmo.

One eleph woke up at night.

Looked at the skies and saw just dark.

Tought about the stars and their warm lights.

When realized that the grass was cold as hell.

Decided to dream about a hot heaven…

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