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São pequenos gestos furtivos, alguns meio desacorçoados…

São mimos invisíveis a olhares alheios. São palavras agradáveis mesmo quando duras.  São os olhares de descrédito carinhoso. São passeios eternizados em conversas sem a menor pretensão. São sorrisos mordidos no canto da boca. São olhos estupefatos.

São silêncios confortáveis de entendimento mútuo. São carícias meigas e mal intencionadas. São suspiros longos e pesarosos. São risadas descontroladas. São caretas convidativas. São passagens cedidas e mãos estendidas. São calores e arrepios percorrendo o corpo.

São gracinhas educadas. São as mãos mandonas segurando o rosto pelo queixo como quem segura o perigo com delicadeza. São palavras subentendidas que chegam ao seu destino sem esforço.

São pequenos gestos furtivos…

… que encontram um abraço lisonjeiro de supetão e ganham significados eternos.

As pessoas vivem alienadas as diversas ditaduras impostas por modelos de vida surreais. E disso todo mundo já sabe, nem por isso nada muda… Toda maldita mulher vive em alguma dieta insana, ou tratamento de beleza subversivo, ou moca em si mesma uma infelicidade utópica e fica martirizando fantasmas aleatórios.

Enquanto acham que os homens querem apenas o que está nas capas de revistas, ou programas dominicais, esquecem de ser apenas mulheres. Mulheres, que como muitos já exaltaram, são criaturas apaixonantes, simplesmente por serem mulheres.

Porque as pessoas podem andar por aí exaltando bundas e peitos, outros feitos… Mas o que move o amor (e acredite o tesão também) é atenção, carinho, malícia e muito encantamento, e este combo vem de fábrica.

Magrinhas, gordinhas, altinhas, tortinhas, nada disso importa no fim. O charme está lá, o veneno está lá, a beleza saborosa está lá. Tudo instrínseco, mesmo que abandonado.

E quando elas jogam suas simplicidades na rua é impossível não se apaixonar.

A ditadura é presente em cada ação desta democracia, as pessoas são marcadas e carregam em si um peso histórico (que em muitos outros lugares foi esquecido). As conexões sociais são como um Orkut+Twitter+Youtube ao vivo, até porque a internet é bacana, mas não importa…

As meninas são lindas, têm cabelos impecáveis e não usam tantos saltos, na verdade, nas ruas, se vê uma quantidade incrível de tênis. O guia afirma que as campanhas contra as modelos magérrimas nos anos 90 surtiram bom efeito (só porque elas são naturalmente magras por toda Argentina… ) Enfim, não são übermodels e são presidentes, pode não ser exatamente um motivo de orgulho nacional, mas dá uma invejinha internacional…

Não é notável uma preocupação exacerbada com meio ambiente, sustentabilidade e comidas orgânicas. Não é visível o grau de engajamento/ preocupação. O normal é jogar o papel na privada, deixar o gás ligado 24h e não catar o coco do cachorro. Contudo, no supermercado os sabonetes em letras miúdas todos são 90% biodegradáveis, entre outras coisas… Sempre implícitas.

(notas de viagem sobre a sociedade argentina)

De cima a região de Buenos Aires parece uma bandeira. E a Argentina, da estimada Mafalda, assim, sob os pés, já se posta organizada e romântica. Na estrada que separa Ezeiza de La Plata nota se a continuidade dos tijolos e janelas, coisas que não saem do seu determinado lugar…

Eles falam rápido, duros e afáveis. Sim, contraditórios! O importante é entender que querem que os entenda (Rá!) e que tudo no mundo se resolve se existir “dulce de leche” e o resto a gente conversa.

Um poquito más adelante ousaria dizer que é uma Europa pós guerra, onde o novo vem em camadas e não se sobressai aos tijolos. O que torna toda paisagem muito bucólica.

Os jovens de 20 pra cima, são como os velhos… Politizados e trabalhadores. Talvez porque o sistema não lhes deu brecha. São de todo modo racionados, a abundância não é necessária. Como diria Mogli: “Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”.

Tocar era um tabu, mesmo na sociedade das manufaturas… O distanciamento entre as mãos e o resto ficou visível quando a arte tomou novos rumos e a partir do momento em que a participação foi aberta, as pessoas se dividiram.

Os games, outrora porta vozes do mal, criaram uma geração de raciocinadores participativos. Hoje tudo é touch! E todos querem tocar. Cobram a participação, a colaboração, a manipulação, mesmo que de minimalidades.

Porém nossa estética de interação resume se a diplays de botões, desde a automação dos processos industriais. Do trabalho à diversão estamos todos fadados a plays, pauses e stops.

Era dos sorrisos que Clara gostava, sempre soube. Ainda que os dentes não lhe despertassem paixões… O modo como as bocas curvavam, as pequenas tortuosidades que diferenciam umas das outras. Pequenos traços para entender grandes coisas. Ela não sabia dizer se deveria ou não associar este gosto por sorrisos a seu hábito de preferir ficar calada…

Sempre resmungava, mas não dizia nada. Nada. Era tão normal que algumas vezes achava ter dito algo, mas nunca disse. Difícil para os amigos… Mais difícil ainda para ela. Pois acostumou se a não falar, empregara tanta rispidez consigo mesma neste processo, que não conseguia falar quando precisava… Nem para pedir socorro.

Mimimi eueueu mimimi eueueu…

Mimimi #desacocheiodastagsdessavida#.

Mimimizou eueueuzou por ai enquanto pôde.

Porque um dia, simplesmente não pôde mais!

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