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Dias ensolarados e felizes… Uma megalópole muda aos seus pés! Poucas pessoas transitando pelas ruas. Tráfego de capital do interior. A cidade olha para ele com mais olhos do que o comum. Puxa um cigarro, seu companheiro de caminhadas solitárias. O concreto ganha um peso que não sente no dia a dia perdido no mar de gente.

Suspira e sente saudades. Não da rotina cega e ensurdecedora. Saudades dela. Do cinza que invade sua manhã bem humorada. Do café da manhã cheio de coisas que ele odeia e tem que engolir. Daquele sorriso sarcástico que emana naturalmente dela. Das tardes sem fazer nada que passaram sentados por aí.

Che senta num bar qualquer, nota que está passando a final do campeonato, pede uma cerveja… Nem isso tem mais a mesma graça. Ela adora futebol! E cerveja. E todo esse concreto que está olhado para ele. Ali. Sozinho. Tomando uma gelada para comemorar a vitória do seu time, como se não precisasse  esquecer a saudade dela.

Pensava nas coisas fáceis que descartou da sua vida, por que tornaram se sempre chatas, sem graça… Diferente do que ele estava sentindo agora… O ar da noite ficou diferente quando passou a mão no próprio rosto, antes de acender o próximo cigarro, e sentiu… Sentiu a si mesmo.

Num estalo realizou que naquele momento era um só. Não era o geminiano indeciso, nem o nerd dramático, nem o rebelde fofinho, nem arlequim, nem pierrot… Não era dois, ou três ao mesmo tempo, era ele, ali, sem máscaras. Teve uma súbita pausa nos seus monólogos cerebrais e sorriu inconscientemente.

Olhou de maneira vaga para ela, sentada tomando uma cerveja, desenvolta, charmosa e displicente… Que desgraçada! Mesmo com aquele olhar blasé ignorando os olhares dele, com seus sorrisos-golpes ela aos poucos lhe quebrou as máscaras… Malditos sorrisos!

Outra pausa… Era preciso dar lhe créditos, uma atitude no mínimo admirável transformar mil geminianos em um… Ficou no mínimo estupefato, pois não esperava encontrar se consigo mesmo assim, de repente, numa mesa de bar. Após cervejas, cigarros e sorrisos, sentiu se leve. Andou pela rua desmascarado, entoou a própria voz, livre pela noite.

Como todo bom geminiano, Che, mantém a linha do indeciso entre suas múltiplas personalidades, além de ter uma falta de confiança super confiante que só os nascidos sobre esta estrela conseguem carregar nos ombros. Andava pela calçada ruim da avenida sob a garoa costumeira ao lado dos amigos rumo ao bar.

Perguntando em silêncio aos seus próprios devaneios se as pessoas partilhavam das suas dúvidas e se era normal viver esse constante estado de brainstorm das idéias e da realidade… Pôs o cigarro no cinzeiro enquanto olhava para ela na mesa do bar, sem saber porque ela não olhava…

Cada ação, ou reação, dela é acompanhada por infinitas possibilidades em seu raciocínio que acompanha a conversa, a música, a cerveja e outras coisas cruzadas ao mesmo tempo. Che soltou um suspiro invisível. Para alguém que gosta de desafios, e pressupõe ter alguma habilidade nisso, dúvidas são cruéis e deixam o jogo mais difícil…

(= agradecimentos à colaboração de Billie, do Luzes da cidade! =)

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