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São pequenos gestos furtivos, alguns meio desacorçoados…
São mimos invisíveis a olhares alheios. São palavras agradáveis mesmo quando duras. São os olhares de descrédito carinhoso. São passeios eternizados em conversas sem a menor pretensão. São sorrisos mordidos no canto da boca. São olhos estupefatos.
São silêncios confortáveis de entendimento mútuo. São carícias meigas e mal intencionadas. São suspiros longos e pesarosos. São risadas descontroladas. São caretas convidativas. São passagens cedidas e mãos estendidas. São calores e arrepios percorrendo o corpo.
São gracinhas educadas. São as mãos mandonas segurando o rosto pelo queixo como quem segura o perigo com delicadeza. São palavras subentendidas que chegam ao seu destino sem esforço.
São pequenos gestos furtivos…
… que encontram um abraço lisonjeiro de supetão e ganham significados eternos.
As pessoas vivem alienadas as diversas ditaduras impostas por modelos de vida surreais. E disso todo mundo já sabe, nem por isso nada muda… Toda maldita mulher vive em alguma dieta insana, ou tratamento de beleza subversivo, ou moca em si mesma uma infelicidade utópica e fica martirizando fantasmas aleatórios.
Enquanto acham que os homens querem apenas o que está nas capas de revistas, ou programas dominicais, esquecem de ser apenas mulheres. Mulheres, que como muitos já exaltaram, são criaturas apaixonantes, simplesmente por serem mulheres.
Porque as pessoas podem andar por aí exaltando bundas e peitos, outros feitos… Mas o que move o amor (e acredite o tesão também) é atenção, carinho, malícia e muito encantamento, e este combo vem de fábrica.
Magrinhas, gordinhas, altinhas, tortinhas, nada disso importa no fim. O charme está lá, o veneno está lá, a beleza saborosa está lá. Tudo instrínseco, mesmo que abandonado.
E quando elas jogam suas simplicidades na rua é impossível não se apaixonar.
Talvez sejam as mulheres bonitas.
Talvez os caras narigudos de “mullets”.
Talvez as comidas, cores ou cheiros.
Talvez os detalhes.
Talvez a saudade imprintada.
Talvez tudo.
Talvez você.
Ou eu…
Sentou no sofá, jogou na sua cara que havia feito o que ele não fez, com aquela cara de quem sempre conserta tudo e os olhos molhados que levam todos ao céu e ao inferno. Ele resmungou o primeiro comentário sarcástico que lhe veio, como sempre fora, como sempre seria… Esculhambações primeiro, elogios, agradecimentos e rosas depois.
Foi para o quarto com seus sorrisos, o deixara no sofá com seus pesares. Quando ele procurou não estava mais lá. Por quê? Por que teria ela feito uma coisa tão vulgar? Sim, ela deletara. Ok, ele sabia porque, uma pena.
Perguntou, na sequencia, se havia deletado por completo… Recebeu um mísero sim. Parabenizou a e ela agradeceu… Quis saber se era o fim e ela disse: – “Pode ser apenas um nunca mais lera minhas cartas de amor.”
Uma romântica, a safada, gostava era de frios na barriga, de tapas na cara, de enjôos e vertigens. Enquanto ele achava que era um bad boy, o rei dos maus tratos, cheio de panca, ela vinha, disfarçada de romance, pisar lhe com saltos altos e puxar lhe os últimos cabelos.
Que te leve o despautério!
Esse amor insano e sincero.
Ao louro da vitória, nessa terra
em que glória é sinônimo de memória.
Que te leve pra bem longe!
Essa história de duas metades…
… porque o resto é escória.
Que te leve ao desespero!
A realidade da ausência,
essa disparidade…
Que te leve. Leve. Leve. Leve.
Era o nariz. Que desde pequeno lhe pesava na cara. Que custou as vergonhas da infância, trouxe verdades na adolescência, gerou medos na sua migração, mas agora, na vida quase adulta, refletia ela.
Ele jamais entenderia, sequer poderia admirá-lo, contudo era capaz de exprimir uma ínfima gratidão sobre essa parte de si que sempre o indignara. Porque ela, ah! Ela. E ela gostava era do nariz.
Nariz adunco, grande, pontudo e pendurado. Sempre chamou mais atenção do que o sorriso mesmo.
Todas as juras de amor que fez queria jogar fora. Mandar embora do papel e da memória. Queria saber que não disse uma só injúria melosa que é hoje dolosa fúria.Queria ter usado só sorrisos. Sorrisos pra memória, cujos registros o tempo danifica e leva embora (dos mais afortunados).
Assim seria só saudade do que talvez não tivesse sido. Seria o relato imaginário-bucólico- lendário. Sem o tormento das palavras, infinitas, malditas, fortuitas de um afã leviano! Queria que o amor não fosse planta de jardim, nem palavra ou fita de cetim. E que o fim fosse o ponto final real e não apenas um sinal.

