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Coisas que não se ouve por ai todo dia, mas que morre se de inveja sempre que se ouve:
“E acredita em mim, quando eu digo que gosto tanto de
você, que até eu ainda to processando. Tenho certeza que é culpa do
seu alfajor com poção do amor nº9, (mas ainda não posso provar), e não
do fato de você ter uma magica que me deixa maluco.”
…
No escuro… Todos são o que não podem ser no claro. No escuro… Todos esquecem uma vida inteira que urge lá fora. No escuro… Todos se satisfazem com seus egos ilimitados.
No escuro… Cada passo pode ser um mergulho no oceano. No escuro… Cada pensamento pode ser pernicioso o quanto quiser. No escuro… Cada lágrima pode ser despejada sem pestanejar.
No escuro… Sempre está aberto o livro dos pensamentos. No escuro… Sempre mora o perigo. No escuro… Sempre está a mostra o que não está no claro.
Entretanto é no claro e as claras que as coisas acontecem.
As pessoas vivem alienadas as diversas ditaduras impostas por modelos de vida surreais. E disso todo mundo já sabe, nem por isso nada muda… Toda maldita mulher vive em alguma dieta insana, ou tratamento de beleza subversivo, ou moca em si mesma uma infelicidade utópica e fica martirizando fantasmas aleatórios.
Enquanto acham que os homens querem apenas o que está nas capas de revistas, ou programas dominicais, esquecem de ser apenas mulheres. Mulheres, que como muitos já exaltaram, são criaturas apaixonantes, simplesmente por serem mulheres.
Porque as pessoas podem andar por aí exaltando bundas e peitos, outros feitos… Mas o que move o amor (e acredite o tesão também) é atenção, carinho, malícia e muito encantamento, e este combo vem de fábrica.
Magrinhas, gordinhas, altinhas, tortinhas, nada disso importa no fim. O charme está lá, o veneno está lá, a beleza saborosa está lá. Tudo instrínseco, mesmo que abandonado.
E quando elas jogam suas simplicidades na rua é impossível não se apaixonar.
A ditadura é presente em cada ação desta democracia, as pessoas são marcadas e carregam em si um peso histórico (que em muitos outros lugares foi esquecido). As conexões sociais são como um Orkut+Twitter+Youtube ao vivo, até porque a internet é bacana, mas não importa…
As meninas são lindas, têm cabelos impecáveis e não usam tantos saltos, na verdade, nas ruas, se vê uma quantidade incrível de tênis. O guia afirma que as campanhas contra as modelos magérrimas nos anos 90 surtiram bom efeito (só porque elas são naturalmente magras por toda Argentina… ) Enfim, não são übermodels e são presidentes, pode não ser exatamente um motivo de orgulho nacional, mas dá uma invejinha internacional…
Não é notável uma preocupação exacerbada com meio ambiente, sustentabilidade e comidas orgânicas. Não é visível o grau de engajamento/ preocupação. O normal é jogar o papel na privada, deixar o gás ligado 24h e não catar o coco do cachorro. Contudo, no supermercado os sabonetes em letras miúdas todos são 90% biodegradáveis, entre outras coisas… Sempre implícitas.
(notas de viagem sobre a sociedade argentina)
De cima a região de Buenos Aires parece uma bandeira. E a Argentina, da estimada Mafalda, assim, sob os pés, já se posta organizada e romântica. Na estrada que separa Ezeiza de La Plata nota se a continuidade dos tijolos e janelas, coisas que não saem do seu determinado lugar…
Eles falam rápido, duros e afáveis. Sim, contraditórios! O importante é entender que querem que os entenda (Rá!) e que tudo no mundo se resolve se existir “dulce de leche” e o resto a gente conversa.
Um poquito más adelante ousaria dizer que é uma Europa pós guerra, onde o novo vem em camadas e não se sobressai aos tijolos. O que torna toda paisagem muito bucólica.
Os jovens de 20 pra cima, são como os velhos… Politizados e trabalhadores. Talvez porque o sistema não lhes deu brecha. São de todo modo racionados, a abundância não é necessária. Como diria Mogli: “Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais”.
Tocar era um tabu, mesmo na sociedade das manufaturas… O distanciamento entre as mãos e o resto ficou visível quando a arte tomou novos rumos e a partir do momento em que a participação foi aberta, as pessoas se dividiram.
Os games, outrora porta vozes do mal, criaram uma geração de raciocinadores participativos. Hoje tudo é touch! E todos querem tocar. Cobram a participação, a colaboração, a manipulação, mesmo que de minimalidades.
Porém nossa estética de interação resume se a diplays de botões, desde a automação dos processos industriais. Do trabalho à diversão estamos todos fadados a plays, pauses e stops.
O estilo de vida “cortar e colar” é um caminho sem volta e completamente compreensível. Dentes, plásticas, peso e pele são, nesta ordem, o top das mudanças. E são o menu básico para quem trabalha de vender sua própria imagem.
As celebridades fazem uso de técnicas absurdas, de metodologia e/ou preço, para ficar no formato “desejado” e ainda sim, é preciso de muito photoshop para ficarem como vemos na Playboy, por exemplo.
E as pessoas comuns, tipo você e eu, também querem ficar nas formas das desejadas celebridades. Cada vez mais as etapas de tratamento estão especíiiificas… Você sabia que existe o barão do botox?
O rei do bumbum e o mestre do bumbum (funções diferentes), um cara para o tríceps, outro para barriga, outro cuida do pé de galinha, outro para inchaço nos olhos. Para cada parte do seu corpo existem uns três barões, dois reis e uns mestres.
Ao contrário das mídias que perseguem o futuro conversão-interação, o corpo está cada vez mais dividido. Não se entra em uma clínica e sai impecável, mas se você entrar em sete talvez realize seus primeiros sonhos de corrigir “pequenas imperfeições”…

