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- Óbvio que a camisinha X não tem… – Ele dizia ao fundo. – Por que a de 50 mm são mais… Foi isso ele disse e para ela era uma conversa de grego. Como naquela prateleira com mil camisinhas não tinha a X?

Sim, parecia absurdo, mas ela sabia que não era, porque acontecia a mesma coisa com absorventes. São prateleiras abarrotadas deles e nunca tem o que estamos procurando.

Logo, na mesa do bar, a discussão: Meninas estão para camisinhas, como meninos estão para absorventes. Ambas conversas são de grego para os sexos inversos.

Claro, que em algum canto do mundo existe algum menino que entenda de Obs, ou uma menina que entenda de milimetragem da camisinha.

Contudo, até os supermercados colaboram quando colocam absorventes de um lado e camisinhas do outro na mesma ala. (Vizualizaram a cena épica do casal separando se do carrinho ela escolhendo pr’um lado e ele pr’outro…)

Conversas de bar em corredores de supermercado… Acabam em muitas taças de Norteña vazias e garrafas empilhadas com direito a severas discussões sobre meninas e meninos.

Por mim poderiam ser os pássaros! – exclamou alegando que Hitchcock já havia avisado, quase um Nostradamus. Ouviu em troca um – Imagina… Tem que ser o fundo do mar, aquelas coisas esquisitas, sabe? Porque o mundo ainda vai encher de água e nós vamos ter que nos acostumar a nadar. E com toda essa vidinha esquisita e monstruosa não dá!

Respondeu que era balela, que quando enchesse de água nós voaríamos, e por isso, também os pássaros, a iminente ameaça. Que até a baleia voa! Que todos vamos voar. Discutiram suas teorias aero-aquáticas nonsense nostradamísticas advogando ávidamente por suas causas. Suspiraram.

Contentes por não ter que pedir desculpas politica-ambientalmente corretas para ninguém, tomaram mais um trago para encarar a ladeira. Sem saber porque cargas d’água acabaram por falar no fim dos tempos os dois pagaram a conta e subiram falando de coisas mais amenas como a situação do Paquistão, as Coréias e afins…

Um com muito medo de ter que nadar e outro pensando que o ar era a solução dos afáveis…

Entre as diversas conversas de bar, permeadas por Chico Mineiro, alguém soltou um: -Eu não concordo com o que a Manoela tá fazendo com o Zé! – Aí já viu, né? Meninas, boteco e caninha. Combo pr’uma noite inteira de pena voando.

Entre feminices verdadeiras e aparentemente sem sentido, levantaram o fato: São meninas vacas assim que deixam os meninos insensíveis e babacas! Quando chega o cara bem intencionado qualquer coisa é desculpa para fazer ele de palhaço?

Quando as pessoas se relacionam é mesmo necessário ter sempre um que pasta?! Seria medo deles fazerem isso primeiro? Estaria o relacionamento, de modo geral,  tão fadado assim?

Muito fácil reclamar que o amor não está nas prateleiras quando não se está disposto a fazer nada por ele. Fundaram o movimento-campanha de boteco Que cabeça?!

Porque quando uma menina termina uma DR com: -Meu corpo quer você, mas ainda tenho mágoas na cabeça! Todo cara está apto a dizer: Que cabeça, camarão? Que cabeça?

Meninas discutiam na mesa do boteco as dificuldades de ser solteira, não-desesperada e com um ímpeto comum (que lhes é cabível) de paquerar… Um tópico que rende as mais diversas abordagens é fato, mas a bola da vez era: Como andar acompanhada na rua sem parecer um casal?

Porque se você sair com um amigo na rua ninguém vai fazer contatos imediatos uma vez que casais modernos desfilam por aí como bons amigos… Se está com uma amiga é considerada casal, uma vez que é melhor prevenir do que remediar, ainda mais se tiverem estilos diferentes… Se você sair com uma cabra é capaz de considerarem um casal! São tantas opções sexuais no menu que você não sabe ao certo o que é um flerte, ou de onde ele vem e para onde vai…

Ser um cidadão ímpar e querer se divertir nos dias de hoje está cada vez mais difícil. E aí, como faz?

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